Assine agora| Versão impressa
Publicado em 02/04/2018 às 12:57h - Atualizado em 02/04/2018 às 13:00h Por: Talita

Febre amarela: 43% dos pacientes transplantados sobreviveram


Site

Da Redação

Em seus quase 30 anos de experiência em transplantes de fígado, o médico Luiz Carneiro D'Albuquerque poucas vezes viu uma situação tão dramática como a dos pacientes com quadro grave de febre amarela. "A gente colocava o doente na lista de espera por um órgão no fim da tarde, recebíamos autorização para transplantar em duas horas e, quando era no outro dia de manhã, enquanto esperávamos o fígado, o paciente já estava agônico, quase morrendo. Era desesperador", diz.

Professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e chefe de transplantes de órgãos abdominais do Hospital das Clínicas, o especialista chefiou a equipe que fez, em 30 de dezembro, o primeiro transplante de fígado em um paciente com febre amarela no mundo. Desde a primeira cirurgia, outras 20 foram realizadas em hospitais de São Paulo, Rio e Minas, segundo Carneiro. Dos 21 pacientes operados, 9 sobreviveram, dos quais ao menos 4 tiveram alta.

A taxa de sucesso do transplante, de 43%, pode parecer baixa numa primeira análise, mas representa um marco no tratamento da doença no mundo e, ao mesmo tempo, um desafio para os cientistas brasileiros envolvidos no processo.

Nos casos agudos da doença, em que há comprometimento neurológico - uma das situações em que o transplante é indicado -, a mortalidade chega a 90%. Mas o transplante de fígado em casos de febre amarela nunca havia sido realizado, por duas razões: primeiro, porque geralmente o paciente morre antes da chegada do órgão; segundo, porque os médicos não sabiam se, após a cirurgia, o vírus passaria a atacar o fígado novo.

Com a observação dos transplantados, os médicos descobriram que o vírus da febre amarela é tão devastador que os pacientes com hepatite fulminante causada pela doença não podem esperar pelo novo órgão o mesmo tempo que os doentes com insuficiência hepática por outras causas. Isso porque, mesmo que o fígado seja trocado, se o vírus já tiver atacado outros órgãos vitais, a chance de recuperação é pequena.

"A gente não conhecia bem essa doença em São Paulo. O último surto urbano foi na década de 40. Percebemos que os critérios clássicos para indicação de transplante de fígado não servem para febre amarela. Nos casos em que o paciente morreu após o transplante, o que aconteceu foi que o comprometimento de outros órgãos já era tão grave que a troca do fígado não bastou", diz D'Albuquerque, que transplantou seis pacientes no HC, metade ainda viva. Leia mais

Fonte: Estadão






Ver em PDF


Endereço
Rua Martin Afonso, 1587
Jd. Novo Horizonte - Sede Própria
WhatsApp
(44)99115.2018

E-mail
joelcardoso@globo.com

Telefone
(44) 3026-8585
Como será seu voto na escolha da mulher do ano?




Copyright© - Portal Glup
Central de Atendimento | Anuncie no Glup
JC Mantovan