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Publicado em 11/05/2018 às 08:23h - Atualizado em 11/05/2018 às 08:28h Por: Editores

Regime militar, entre as vítimas, intelectuais. Quem quer esse retrocesso?


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Foto:  jornalista e professor da USP Vladimir Herzog , vítima símbolo da ditadura militar.

 

O presidente Ernesto  Geisel autorizava execuções sumárias de presos políticos pelo regime militar, revela documento divulgado pelos EUA. Incapaz diante desse poder de informações, nem o presidente Temer quis comentar o assunto. O assustador é que há brasileiros que querem a volta do

*Editoria Política

O brasileiro já deixou de se impressionar com o fato de estar subjugado ao Poder econômico, político e cultural dos EUA. A mais recente prova que o brasileiro é dependente dos americanos foi a recente “liberação” de um documento secreto de 1974 que Departamento de Estado dos Estados Unidos resolveu informar o brasileiro. Segundo o documento, Ernesto Geisel, presidente do Brasil de 1974 a 1979, aprovou a continuidade de uma política de "execuções sumárias" de adversários da ditadura militar.

Geisel, que morreu em 1996, teria ainda orientado o então chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações) que viria a substituí-lo na Presidência, João Baptista Figueiredo (1979-1985), morto em 1999, a autorizar pessoalmente os assassinatos. O documento foi tornado público, com exceção de dois parágrafos ainda tarjados, em 2015 pelo governo dos EUA e nesta quinta-feira (10) postado em redes sociais por Matias Spektor, colunista da Folha de S. Paulo e professor de relações internacionais na FGV (Fundação Getulio Vargas).

O professor qualificou o papel como "o documento secreto mais perturbador" que já leu em 20 anos de pesquisa. "Não se sabia que Geisel havia chamado para o Palácio do Planalto a responsabilidade sobre a decisão das execuções sumárias. A cúpula do governo não só sabia como chamou para si a responsabilidade. Isso é que tão impressionante, chocante", disse Spektor.

Tudo era um rolo compressor. Entre 1969 e 1976, o Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo – ligado à Secretaria de Segurança Pública – expediu pelo menos 51 laudos necroscópicos falsos, referentes aos corpos de opositores do regime militar então em vigor no Brasil, entre eles o do estudante de Geologia da USP Alexandre Vanucchi Leme, o do jornalista e professor da USP Vladimir Herzog e o do operário Manoel Fiel Filho

Em outro ponto revelador, o documento diz que cerca de 104 pessoas já haviam sido executadas sumariamente "pelo CIE", o poderoso Centro de Informações do Exército então comandado pelo general Milton Tavares. O papel é um memorando assinado pela mais alta autoridade da principal agência de inteligência dos EUA na época, o diretor da CIA, William Colby (1920-1996).

Ele relata uma reunião que teria ocorrido em 30 de março de 1974, no início do governo Geisel, entre o presidente, Tavares, Figueiredo e o general que iria assumir a chefia no CIE, Confúcio Danton de Paula Avelino. Segundo o memorando, Tavares ressaltou o "trabalho do CIE contra alvos da subversão interna durante a administração do presidente Emílio Médici [1969-1974]".

"Ele enfatizou que o Brasil não pode ignorar a ameaça terrorista e subversiva, e disse que métodos extralegais deveriam continuar a ser empregados contra subversivos perigosos. Sobre isso, o general Milton disse que cerca de 104 pessoas nessa categoria foram sumariamente executadas pelo CIE até agora. Figueiredo apoiou essa política e instou a sua continuidade."

Na ocasião da reunião, segundo Colby, Geisel comentou a seriedade e os aspectos prejudiciais dessa política e disse que gostaria de refletir sobre o assunto no final de semana antes de chegar a qualquer decisão. Dias depois, em 1º de abril, segundo o diretor da CIA, Geisel comunicou sua decisão a Figueiredo.

"Em 1º de abril, o presidente Geisel disse ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que grandes precauções deveriam ser tomadas para assegurar que apenas subversivos perigosos sejam executados. O presidente e o general Figueiredo concordaram que quando o CIE apreende uma pessoa que pode estar nessa categoria, o chefe do CIE vai consultar o general Figueiredo, cuja aprovação deve ser dada antes de a pessoa ser executada", diz o memorando de Colby sem deixar claro a fonte de suas informações.

O despacho é a primeira indicação documental conhecida sobre o papel de decisão da alta cúpula da ditadura nas execuções sumárias de adversários, segundo Spektor. Até aqui era conhecida uma conversa, revelada pelo jornalista Elio Gaspari em 2003 em seu livro "A ditadura derrotada", entre Geisel e o general Dale Coutinho em fevereiro de 1974, um mês antes da posse na Presidência.

Falando sobre o combate aos inimigos da ditadura, Geisel afirmou: "Porque antigamente você prendia o sujeito e o sujeito ia lá para fora. [...] Ó Coutinho, esse troço de matar é uma barbaridade, mas eu acho que tem que ser". Em nota, o Comando do Exército informou que os documentos sigilosos relativos ao período em questão e que "eventualmente pudessem comprovar a veracidade dos fatos narrados foram destruídos, de acordo com as normas existentes à época --Regulamento para Salvaguarda de Assuntos Sigilosos (RSAS)-- em suas diferentes edições".

 






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