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Publicado em 01/09/2017 às 15:22h - Atualizado em 01/09/2017 às 15:22h Por: Redação III

Campanha de Beto Richa abastecida por desvios de escolas


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* Redação

 

O dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, disse em acordo de delação premiada com o Procuradoria-Geral da República que pagou R$ 12 milhões de propina a um intermediário do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB)

Parte dos recursos foi entregue, segundo o delator, em um banheiro de uma secretaria e também camuflado em caixas de garrafas de vinho. 

Nesse montante está incluída uma mesada de R$ 100 mil paga em 2015, segundo Souza, que abasteceria as campanhas de Beto, de seu irmão e de seu filho em 2018. O governador nega as acusações. 

O intermediário do governador apontado pelo empreiteiro é Maurício Fanini, amigo de Richa que foi nomeado por ele diretor da Sude (Superintendência de Desenvolvimento Educacional), braço da Secretaria Estadual de Educação. Fanini é ligado a desvios de cerca de R$ 20 milhões da construção de escolas públicas, segundo dados da Operação Quadro Negro. 

Fanini chegou a ser preso devido ao seu envolvimento no esquema e é apontado pelos investigadores da Quadro Negro como peça central da suposta quadrilha.

MESADA

O relator afirmou no acordo de delação que quando Fanini foi nomeado presidente da Fundepar, autarquia que cuidaria de toda a parte administrativa da Secretaria de Educação, inclusive da construção das escolas públicas, ele passou a dar uma mesada de R$ 100 mil que seria, segundo depoimento, direcionada ao governador. 

"A gente daria R$ 100 mil por mês a ele [Fanini], porque o Beto vai ser candidato a senador, o Pepe Richa (irmão do governador) vai ser candidato a deputado estadual e o Marcelo Richa (filho do governador) a deputado estadual", disse. 

A mesada durou pouco tempo, segundo Souza, porque meses depois de assumir a Fundepar, Fanini foi exonerado com a a deflagração da Operação Quadro Negro. 

O delator conta que Fanini "dizia que era amigo pessoal do governador Beto Richa, com quem jogava tênis frequentemente, e as famílias se frequentavam mutuamente. O Fanini comentou comigo que tinha conversado com o governador e que a gente estava 'bem', por conta dos valores que estávamos arrecadando para a campanha dele". 

O empreiteiro relatou que entregou cerca de R$ 12 milhões em espécie a Fanini desviados das construções de escolas públicas que nunca foram terminadas. "Ele [Fanini] disse que, conforme acertado com o governador, parte desses valores ficaria com ele e parte iria para a campanha [de Beto Richa]". 

Souza relata que os desvios chegavam ao tucano pela seguinte via: o empreiteiro repassava a propina a Fanini que direcionava parte do montante a Ezequias Moreira da Silva, outra parte a Ricardo Rached e outra parte a Luis Abi Antoum. Os dois primeiros são assessores de Richa no Palácio Iguaçu e o último, primo dele. 

O delator detalhou que primeiramente as entregas a Fanini aconteceram no banheiro da Sude, braço da Secretaria de Educação dirigido por ele.

OUTRO LADO

Por meio de nota, o governador Beto Richa classificou de "mentirosas" as declarações do delator. 

"O governador Beto Richa classifica as declarações do delator como afirmações mentirosas de um criminoso que busca amenizar a sua pena. Tais ilações sequer foram referendadas pela Justiça. E suas colocações são irresponsáveis e sem provas. O governador afirma que nunca teve qualquer contato com o senhor Eduardo Lopes de Souza e sequer fez ou pediu para alguém fazer qualquer solicitação a essa pessoa para a campanha eleitoral de 2014. Todas as doações eleitorais referentes à eleição de 2014 seguiram a legislação vigente e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral", disse. 

Segundo o governador, a "Procuradoria-Geral do Estado também entrou com ações civis públicas na 1ª, 4ª e 5ª Varas da Fazenda Pública por dano ao erário contra a construtora Valor e pessoas ligadas à empresa, incluindo o senhor Eduardo Lopes de Souza. Os pedidos de indenização pelos danos causados ao Estado somam R$ 41.091.132,80. Há ainda ações de improbidade administrativa contra os envolvidos, que também buscam ressarcimento dos cofres públicos". 

 

Fonte: G1






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